31/05/2010, por Eduardo Bonjoch

Mais do que conforto, um dos principais fatores que levam as pessoas a utilizarem sistemas de automação doméstica é a preocupação com a segurança. Além de se integrar aos equipamentos de home theater, já estão disponíveis no Brasil controles que podem atuar em conjunto com alarmes e centrais de segurança, a custos acessíveis.
Integrar controles de acesso, câmeras de segurança e sensores biométricos com centrais de automação tornou-se nos últimos anos uma forte tendência no mercado de projetos residenciais. “A automação não substitui os alarmes, mas pode atuar em conjunto com esse dispositivo para deixar a casa mais segura”, diz Thales Cavalcanti, presidente da Aureside (Associação Brasileira de Automação Residencial), que reúne dezenas de empresas especializadas nesse tipo de solução.
Quando as duas áreas se integram, o usuário pode, por exemplo, receber mensagens pelo celular avisando que o alarme de sua casa disparou, ou comunicando que alguém passou por um cômodo restrito da casa, ou ainda avisando sobre vazamento de gás ou água. Dependendo da programação, o próprio sistema aciona simultaneamente a empresa de segurança e acende todas as luzes do imóvel. “Na realidade, os sistemas de segurança e monitoramento externo precisam ter vida própria”, explica José Roberto Muratori, da Marbie Systems, empresa paulista que atua nesse segmento. “Alguns sistemas são capazes de enviar até oito mensagens simultâneas para celulares. Na lista, podem estar os contatos do segurança da rua, dos vizinhos, parentes próximos e amigos de confiança”.
Um dos itens mais importantes nesses sistemas são as câmeras de segurança. Os modelos IP – que funcionam integrados à internet – permitem monitorar a casa a distância, de qualquer lugar do planeta; pode-se acessar as imagens registradas pela câmera, ao vivo, através de um computador ou mesmo do celular. Fabricantes como Sony e Panasonic oferecem dezenas de modelos, alguns inclusive em alta definição.

Geralmente, as imagens captadas pelas câmeras são direcionadas para um canal de TV, via circuito interno, solução cada vez mais comum em condomínios. Projetos refinados costumam incluir ainda um gravador de vídeo. A Sony, por exemplo, trabalha com três modelos de gravador, cujos preços variam de acordo com a capacidade de armazenamento e o número de câmeras que podem ser interligadas. “Embora tenhamos até câmeras sem fio que enviam informações por rádio-freqüência, os modelos mais simples são os campeões de vendas no segmento residencial”, diz Carlos Nonato, da Sony.
Quando o HD está cheio, o gravador vai apagando automaticamente as imagens mais antigas. E, dependendo da sofisticação de cada sistema, é possível gravar a rotina da casa em alta definição. “A câmera também pode trabalhar em conjunto com um sensor de presença para começar a gravar apenas se alguém se aproximar do cofre ou do quarto das crianças, por exemplo”, explica Muratori, que já projetou vários sistemas com essa solução.
Já a Panasonic aposta nos softwares para visualização das imagens e gravação em computador. Kits com quatro câmeras fixas básicas custam a partir de R$ 3.000, incluindo software que grava várias imagens distintas, explica Luis Sérgio, engenheiro da empresa. “Mas o usuário também pode comprar as câmeras por unidade (o custo inicial é de R$ 680) e registrar as imagens no PC com ajuda de um software mais modesto, que permite a gravação de uma única fonte.”
Algumas câmeras trazem recursos diferenciados, como as do tipo day/night, que gravam em preto e branco durante a noite ou em outras situações com pouca luz. Já as câmeras pan-tilt, que se movimentam e têm zoom, tornam-se uma boa opção para muros e áreas de acesso, que podem exigir maior detalhamento.

Essas imagens podem ser vistas em painéis de parede espalhados pela casa, ou em controles portáteis, que se comunicam via WiFi. Dessa forma, é possível até liberar a entrada de uma pessoa mesmo que o dono da casa esteja no quarto ou na cozinha. “Basta enviar pelo painel um comando para abrir a porta”, comenta Cláudio Yazbek, da Syncrotape, que representa no Brasil a marca americana Crestron, uma das líderes mundiais em sistemas de automação.
O QUE JÁ É POSSÍVEL FAZER
* Enviar mensagem ao celular do morador sempre que o alarme for acionado;
* Acender (ou piscar) as luzes da casa quando os sensores de presença detectarem movimentação estranha;
* Ver as imagens das câmeras de segurança no TV, notebook e até em painéis de parede;
* Programar câmeras para começar a gravar quando o sensor de presença detectar alguém se aproximando do quarto das crianças;
* Liberar o acesso através da leitura das impressões digitais dos moradores;
* Instalar sensores de fumaça, inundação e fogo que avisam os moradores mesmo quando estão fora.
BIOMETRIA: ALERTA NA PONTA DOS DEDOS
Liberar o acesso à residência a partir do reconhecimento das impressões digitais dos moradores é uma solução moderna e prática. E quando integrada a um sistema de automação mais amplo, aumentam a segurança e a comodidade na residência.

Além de eliminar a preocupação com perdas e cópias não autorizadas de chaves, os sensores biométricos podem ser programados para identificar os dedos dos usuários em situações especiais. Exemplos: aproximando o polegar, o portão é aberto e um caminho de luz passa a guiar o morador até a suíte, onde o TV já está ligado no canal de sua preferência; para momentos mais íntimos, o dedo indicador ativa uma cena de luz mais romântica e acrescenta música ambiente; já o dedo mínimo pode se transformar no chamado “dedo do pânico”, alertando que alguém da família está entrando na casa com bandidos. Nesse caso, a entrada será liberada normalmente, mas o sistema enviará mensagens de socorro para a empresa de segurança, vizinhos e parentes.

“Dá ainda para monitorar o horário em que os filhos e funcionários domésticos chegam em casa”, explica Eduardo Almeida, gerente de automação da Disac, distribuidora da marca americana Control4, que vem crescendo no mundo inteiro com seus sistemas de automação de baixo custo. “Basta programar o sistema para enviar mensagens via celular com essas informações, que deixam a rotina da casa muito mais prática.”

A biometria também pode restringir o acesso em determinados dias ou em áreas pré-programadas da residência. “O próprio sistema passa a tomar atitudes, ligando para a central de segurança, fechando as janelas à noite ou avisando o proprietário se algo estranho estiver acontecendo”, acrescenta Carlos Dalmarco, da Syncrotape.
DA SEGURANÇA AOS CUIDADOS COM A SAÚDE
Embora o medo da violência guie os investimentos em sistemas de segurança, alguns dispositivos de automação podem deixar a casa muito mais segura em outros aspectos. Já é possível, por exemplo, integrar detectores de fumaça, de inundação e de fogo, para serem acionados antes que o problema se alastre e enviarem sinais de alarme. “São os chamados alarmes técnicos, que avisam por e-mail ou celular em caso de vazamento de gás ou indício de incêndio”, explica José Roberto Muratori, da Marbie Systems. “Em alguns projetos, o próprio sistema consegue interromper o fornecimento de gás, de energia elétrica ou de água quando qualquer irregularidade é detectada.”
O avanço da tecnologia já permite que esses recursos sejam úteis também para quem necessita de cuidados médicos especiais. Através de um sensor de presença ligado a uma central de automação, pode-se monitorar se uma pessoa idosa está seguindo as orientações de seu médico (uma câmera de segurança instalada no quarto envia a imagem para o celular ou notebook). “Muitos idosos preferem morar sozinhos, o que deixa os filhos preocupados”, conta Eduardo Almeida, da Disac. “Nesses casos, a automação se torna uma grande aliada. Sensores instalados em gavetas de remédios, por exemplo, podem se comunicar com a central e disparar torpedos relatando o exato momento em que a medicação foi manipulada.”

*Texto publicado originalmente na revista HOME THEATER & CASA DIGITAL
Fonte: http://revistahometheater.uol.com.br/site/tec_artigos_02.php?id_lista_txt=6393